terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Esquizofrenia

Te amo tanto, que ódio!
Amo te odiar, e também odeio te amar
Quero você bem perto de mim,
Quanto mais longe, melhor!
Seu carinho me acalma, relaxa, me irrita!
O cheiro do seu perfume me lembra coisas boas,
Como as que se guardam no esgoto
O esgoto, que lugar mais deprimente
Pra guardar o que se sente
Se esse amor um dia foi grande,
Quem garante que era meu?
O ódio domina o meu dia,
E é assim que sigo te amando.
Não tenho ninguém e nem te quero,
Pois só você é o que espero,
Longe e perto, errado ou certo.
O tempo passa rápido,
E demora tanto a passar.
Futuro? Quem disse que existe?
Te espero lá então, não desiste!
Ô, meu amor, sinta o sangue escorrendo,
Estou te vendo partir, pra não mais voltar
Demorou pra sair desta vida, me largar...
Espero que volte logo!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Final de semana muito louco!

Seguia meu calvário dos últimos dias. Comecei na sexta-feira, indo pro meu já habitual "happy hour", que de happy, não tem nada. Pego um ouvido amigo e o castigo por algumas horas com minhas lamentações. Mas, afinal de contas, os amigos não servem pra isso também? Comecei a ver um pouco de outras coisas além do lamento. Música ao vivo, e não é que o cara era bom? Pegou o violão e começou a cantar, e eu a beber, e o cara cantando... não, não me apaixonei pelo cantor, não faz parte do meu show. Só sei que, não mais que de repente, me encontrava com os braços pra cima acompanhando o pessoal que fazia amigo secreto nas mesas ao lado. Voltei pra casa e não consegui dormir. Meus olhos esqueceram como é que se pisca. Só via as horas se arrastando, muito lentamente. Duas horas, três, cinco, sete... levantei e fui trabalhar. O sono havia sumido do meu vocabulário. Não me sentia nem sequer cansado. Trabalhei normalmente, e fui pra casa. Tentei ler meu livro, mas os pensamentos não me deixam concentrar o bastante. Lá pelas tantas, resolvi chamar meu amigo pra uma nova rodada de lamúrias. E lá estávamos nós, em outro palco, cantando as mesmas canções. Havia se passado umas 2 horas, quando recebo um sms: "Niver da Mel, vamos?". Era de uma amiga, recém-amiga, eu diria, mas que já tem um lugar cativo entre meus amigos queridos. Meu primeiro impulso foi dizer não, devo confessar. Porém, algo me disse: "Por que não?". E fui! E foi ótimo!!! Conheci outros ares, dei muitas risadas, festejamos, contamos piadas, falamos do "Parmera". Depois da meia-noite, começamos a voltar ao estágio de abóbora. O sono começou a salpicar um ou outro, e um friozinho incômodo resolveu entrar na festa. Fomos embora e eis que, na volta, um telefonema para ela mudou novamente o rumo que seguia. Fomos até uma estação de metrô, buscar dois amigos dela, que vieram do Rio e acabaram se esquecendo que o metrô não funciona 24 horas. Foi assim, que lá pelas 2 da matina, eu me encontrava em plena Av. Paulista, num engarrafamento monstro, e vendo toda a vida noturna que essa cidade tem. Pessoas passavam pelas ruas, com as crianças, tirando fotos dos prédios, todos iluminados por causa do Natal. Percebi que me privei de tantas oportunidades de conhecer gente nova, lugares bacanas, simplesmente por não querer sair à noite, como se isso fosse garantia de segurança numa cidade como São Paulo. Isso não voltará a acontecer. Terminei a noite numa pizzaria muito bacana, comendo uma pizza excelente, e com ótimas pessoas por companhia. Adorei esse momento, me fez muito bem nessa altura do campeonato. Me fez repensar mais alguns pontos de vista que adotei em minha vida, e que vejo que mais me prejudicaram do que qualquer outra coisa. Nunca imaginei que, depois dos 40, fosse ter que me reinventar tantas e tantas vezes. Sei que essa minha amiga querida vai ler essas memórias, pelo menos, as que me lembro, e quero agradece-la, de coração, pela força, pelas palavras amenas, pela companhia e por aquele sms no meio de uma "tarde vazia, e que me valeu o dia".

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Por que Lunático?

Já me perguntaram um sem número de vezes: Por que Lunático? Teve até quem ficasse preocupado, pensando que eu fosse algum tipo perigoso, maníaco ou algo assim. Nada disso. Tirei o Lunático de alguns versos que rabisquei há milhões de anos. Matando saudade:

LUNÁTICO

Vivia no mundo da lua,
Adorando a solidão,
E já não lembrava que
O amor existia, era lembrança
Distante, talvez imaginação.
E na lua vivia feliz...e flutuava!
E nem sabia se era dia ou noite
Quando longe avistou uma estrela
Diferente e apaixonou-se por seu
Brilho mágico;
Lembrou-se então do amor e passou
A sentir sua ausência;
Fechou seus olhos ao tempo e sonhou...
E talvez por tanto amor a estrela lhe
Sorriu;
E da lua ele adorava a estrela e pedia
Ao deus de tudo:
- Não me acorde, não me acorde...

(Marcello)

Prefiro as Cartas!

Prefiro as cartas! E-mails tornam as dores tão... instantâneas. A carta vem de longe, destilando seu conteúdo pelo caminho. As notícias já chegam envelhecidas, desbotadas, esquecidas. E-mails só deveriam existir para coisas alegres: você ganhou na mega-sena! Meu filho nasceu! Passei no vestibular! Te amo!
O imediatismo do que é ruim, só torna a cura mais lenta. O impacto é maior, o sofrimento imeditado. Nem se consegue entender de que lado veio a porrada. Passado o direto no queixo, começo a ver as coisas se acalmarem. A consciência de que fiz tudo que podia ter feito, não ameniza a verdade dos fatos, mas faz com que eu não acumule novos arrependimentos. Já os tenho por mais 2 ou 3 encarnações.
Sou um cara peculiar. Tenho dificuldade em expressar meus sentimentos, sempre tive. Pra mim é complicado abraçar uma pessoa e simplesmente dizer: te amo! Fiz isso pouquíssimas vezes na minha vida. Não banalizo a palavra amor. Sempre tive isto em consideração. Digo “Eu te amo”, se realmente sinto.
Passei esses últimos dias montando um quebra-cabeça imaginário, que, no final das contas, começa a ficar cada vez mais concreto. Bastou me tirar de foco, para que tudo começasse a tomar um novo sentido. De repente, as coisas já não eram tão abstratas como eu imaginava. Tenho receio de perguntar, a ferida ainda é muito recente, e mal começou a cicatrizar, talvez, nunca se feche totalmente. Prefiro a incerteza dos dias, o não saber se há. Vou me tirando de foco em tudo que posso. A distância não me ajuda em nada. A ausência me é mais sentida. Melhor um pouco que seja, do que o nada absoluto. Vou me acostumando assim, saindo aos poucos, deixando de lado e apertando o passo. Um dia, tudo será lembrança...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Momento desabafo

Tem dias que a tristeza bate forte. Nada parece ter importância. E ouço sempre as mesmas frases feitas: você tem que esquecer, tem que dar tempo ao tempo, tudo passa...
Mas nada passa. Tá tudo aqui dentro, martelando, querendo sair. Pediram para eu me perdoar, como se isso fosse fácil. Disseram pra eu encerrar esse capítulo da minha vida, como se eu pudesse. Falaram que o que sinto, não muda o que outros sentem, como se eu fosse nada. Preferem lembrar a dor, enquanto sofro por escolher o amor. Sei que não era perfeito, sei que não fiz o que deveria. Estava sem rumo, fora do prumo, seguindo sem um sentido em mente. Agora não. Tinha minhas certezas de volta. Voltei a enxergar tudo com mais clareza, e passei a sentir de novo maior amor que já senti na vida. Isso não se apaga de uma vida, muito menos em questão de dias.
Sinto como se estivesse num estado letárgico, embriagado, entorpecido. Não consigo lembrar por onde andei esse tempo todo sem ela. Por mais que eu tente, minha mente fica turva, as lembranças difusas. Lembro dela me deixando, e só volto a ter lembranças de uns 8 meses depois. A vida seguiu, mesmo sem eu notar, mesmo sem eu saber por onde andei. E seguiu de maneira terrível. Seguiu sem que eu pudesse estar por perto. Não tenho como mudar o que passou, queria poder fazê-lo. Converso com Deus todos os dias, e peço um pouco de luz, de sabedoria. Tento imaginar minha vida sem ela, e tudo fica mais triste. Duas pessoas que se amam, separadas por lembranças ruins. Ela fez tudo o que podia pra ficarmos juntos. Fez, passado. No presente eu faço o possível para isso, mas ela cruzou os braços. Simplesmente se fechou para a vida, blindou o coração e desistiu de sonhar. Amor não se racionaliza. Você sente ou não sente. E eu sinto um amor sem limites, uma vontade enorme de fazer tudo o que não fiz. Quero acordar abraçado a ela, cobri-la de beijos desde o primeiro segundo de cada manhã, até o último suspiro do anoitecer. Quero ser o melhor amigo, estar em qualquer momento, para qualquer situação. Quero que ela saiba que pode contar comigo, que não a deixarei desamparada, nem que ela me peça. Quero amá-la como uma mulher merece ser amada. Em todos os detalhes, em todas as minúcias. Eu quero tanto, e mesmo assim, me sinto tão vazio. Nem tenho mais palavras pra expressar minha angústia. Os dias passam cada vez mais lentos... e esse amor parece só crescer...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ondas

Tudo vem em ondas. O mar, as lágrimas, a vida, o universo. Aquela onda primordial, que deu origem a tudo que existe. O sopro divino causa ondas na inexistência, cria almas. A luz vem em ondas na escuridão. Ilumina. O amor chega em pequenas ondas, e vai crescendo até não mais se agüentar. Arrebenta. O ódio já nasce grande, e vai se diminuindo, a cada onda criada. Morre na areia do tempo.
A vida começa numa pequena onda, e termina no vazio do final dos dias. A tristeza e a alegria, duas ondas que lutam durante toda vida. A mais forte define seu caminho. A onda te joga para cima, ou para baixo, e, apesar de se fazer presente, uma onda, sempre é uma onda. Ela passa. Não se deixe abater ou iludir pela onda que te guia neste momento. Ela passa. Não tome decisões baseado numa onda, espere a calmaria chegar. Sinta o que seu coração diz.

...texto inacabado... esperando essa onda passar...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Pensando?

Primeiro dia do resto da minha vida. O mundo parece mais triste, o caminho mais vazio. Ergo a cabeça e começo a caminhar. O Sol queima, brilha forte, ofusca o próprio pensamento. Pensamento... quem inventou esse carinha? Que direito ele tem de imaginar coisas que jamais acontecerão. Quero tirar os pensamentos da minha cabeça, deixá-la cada vez mais oca, mais insensível. Mas os pensamentos teimam em circular por ali. E como pensam! Não me dão trégua, não me deixam em paz. Passam cada segundo armando, matutando... pensando. De onde tiram essa energia? Eu já não tenho quase nenhuma, mas eles não! Estão sempre aqui, na espreita! Pensam que me enganam! Pensamentos pensam? Creio que não. Se pensassem, não passariam tanto tempo... pensando! Tratariam de achar coisa mais útil para se fazer. Penso, aliás, eles pensam, que talvez eu não saiba o que digo, mas, e daí? Também tenho o direito de pensar que penso. Sei que não sou eu, no entanto, eles que pensem o que quiserem. Tô pensando em dormir agora... ou seriam eles?

domingo, 13 de dezembro de 2009

Recomeçando a acelerar...

Tem horas que erramos o caminho, e o primeiro impulso, é voltar atrás. Nem sempre podemos dar marcha ré, não numa via de mão única. O passado pode vir forte, te pegar de jeito, te fazer em mil pedaços. Deixe o passado no retrovisor, dê passagem, ou simplesmente, recomece a acelerar. Errar faz parte do aprendizado. Alguns erros levam por caminhos sem volta. Não tente voltar, descubra novos caminhos. A alegria da vida, está justamente nisso: percorrer novos caminhos!
Passei 10 dias num verdadeiro inferno. Meus sonhos ruíram, como castelos de areia. E eram exatamente isso: castelos de areia. Errei num momento em que o caminho não permitia falhas, e tentei voltar quando já não podia. Algumas pessoas simplesmente não esquecem! E quando se gosta de alguém em demasia, o ódio e o ressentimento da outra pessoa, passam a ser armas que certamente irão te magoar. Perdi o amor próprio, esperança e muitos quilos em poucos dias. Minhas lágrimas nunca estiveram tão presentes. Queria ter minha consciência tranquila, de que fiz o que podia ter feito, que pedi o perdão que deveria ter pedido, e que abri meu coração, como nunca antes havia feito. Mesmo assim, a resposta fria e sempre distante, me fizeram recobrar a razão. Realmente, não importa o que você sente, algumas pessoas, simplesmente não se importam. Por não conseguirem esquecer, preferem passar uma borracha no futuro. Que assim seja. Engato a primeira, uma última olhada no retrovisor, ligo o pisca e vou, lentamente, recomeçando a acelerar...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Sempre atual...

De Longe (Solidão)

De longe vinha o sorriso e o encanto
Que passou tão perto,
Quanto a saudade e o pranto
De quem vagou na imensidão

Em saber que uma Estrela não se apaga numa lágrima
E a tristeza não se acaba numa dádiva
É que sigo feito raio... ou trovão

Tão vazio e infindável é o dia
De quem traz mas não encontra... alegria!
É viver na solidão de uma vida
Inexata, incompleta, incontida...

Que o vento traga o frescor em minha face
E a Lua guie meu olhar no infinito
Que vou vivendo num impulso sem sentido
Na agonia de uma prece... ou de um grito.

(Marcello)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Redescobrindo: Titãs

A Melhor Forma
Composição: Branco Mello/ Sérgio Britto/ Paulo Miklos

A melhor forma de esquecer
É dar tempo ao tempo
A melhor forma de curar o vício
É no início
A melhor forma de escolher
É provar o gosto
A melhor forma de chorar
É cobrindo o rosto
Evitar as rugas
É não olhar no espelho
Esvaziar o revólver
É puxar o gatilho
A melhor forma de esconder as lágrimas
É na escuridão
A melhor forma de enxergar no escuro
É com as mãos
As idéias estão no chão
Você tropeça e acha a solução
Acabar com a dor
É tomar um analgésico
Matar a saudade
É não olhar pra trás
A melhor forma de manter-se jovem
É esconder a idade
A melhor forma de fugir
É a toda velocidade
As idéias estão no chão...

Ela não era a mulher perfeita, mas era perfeita pra mim.

É... voltei. O fim não foi tão definitivo. Gostaria que algumas coisas também não fossem. Definitivo é um nunca, e isso me entristece. Nunca mais ver quem se ama, é algo que dói profundamente. Creio que nem a morte seja definitiva.
Fui do céu ao inferno, num curto período de 3 dias. Poderia ficar horas e horas falando dos motivos de minha tristeza nesse momento, mas, simplesmente, a culpa é minha.
Do alto dos meus 41 e anos, eu já deveria ser mais maduro, ter a cabeça mais centrada, e saber que coisas raras, devem ser cultivadas.
Encontrar uma mulher, é algo comum. Uma que seja bonita e se interesse por você, já demanda uma grande dose de sorte. Uma que seja bonita, inteligente, e que ainda por cima, te ame, é algo raro. Se você encontra e descobre que também a ama, não deixe escapar! Essa é a mulher da sua vida, acredite nisso! Eu encontrei alguém assim, e fiz coisas que nem eu acredito ter feito. Não digo traição ou algo do tipo, pois não levo jeito pra isso. Falo de não dar atenção, de não estar presente nos momentos em que ela mais precisava, não demonstrar meu amor, meu carinho. Sempre fui meio bronco, meio contido. Esqueci que o amor se constrói em pequenos gestos, que temos que cultivá-lo a cada dia. Consigo escrever melhor do que falo. Isso me atrapalha bastante quando o assunto é amor. Ela não era a mulher perfeita, mas era perfeita pra mim.
Pouco importa se a fila andou, se o encanto acabou, minha dor é a mesma. Minha amada virou o olhar pra outra direção, e não tenho mais como acompanhá-la.
Disseram-me para ser forte, para seguir em frente, dar tempo ao tempo. Vou procurar fazer isso. Nesses momentos, os amigos costumam ter razão, pois, quem está no olho do furacão, mal enxerga o próprio nariz.
Sendo assim, não haveria sentido em manter o Lunático no limbo. Ressuscito-o depois de 3 dias. Não é a primeira vez que isso acontece no mundo...rs...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O fim...

Passei dois dias chorando por um amor que já não existe. Não existe, pois amor só pode existir a dois. Ninguém ama sozinho. Ontem me questionava o quanto uma pessoa pode chorar. Não descobri ainda, mas posso dizer que é muito, mas muito mesmo. Devo ter perdido uns 2 quilos nesse curto período. Não tenho fome, não tenho esperança, não tenho vontade pra mais nada. Nunca me senti assim na vida. Por isso, outra dúvida me atormenta agora: Pode uma pessoa morrer de tristeza?
Passei o dia conversando com Deus, mas acho que ele tem problemas maiores nas mãos. Meu desespero, desapego, é total. Meu repertório de piadas prontas, meu riso fácil... tudo se foi.
Por isso, estou dando um fim ao meu mundo virtual. As palavras ajudam a aliviar o vazio da alma, mas são tormentos eternizados numa tela em branco. Aghapanthus e Lunático, meus dois alter-egos, eternizados em poesias, textos e delírios de um cara mais que comum, deixam de existir a partir de agora. É como arrancar um pedaço de mim, mas, eu já estou quase morto mesmo. Morrer inteiro ou aos pedaços, tanto faz.
Esse blog, que de tão secreto, é quase um diário, fica como a pedra póstuma de uma vida sem sentido. Meu “aqui Jaz..” virtual.
Boa vida pra quem fica!

A solidão, é a pior das mortes.

Marcello
(+2009)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Chorar é preciso...

Era baixinha, (editado pelo autor), e eu achava linda a maldita. Tinha um rosto lindo, e um sorriso que me arrebatava. Passei o domingo lembrando... e chorando. Sim, chorei como criança, lágrimas rolando em profusão. Não me lembro de ter chorado tanto num só dia. Deitado em minha cama, ouvindo “Pra dizer Adeus”, com a janela aberta, olhando o céu, que começou o dia azul e foi escurecendo conforme minha tristeza ia aflorando. Já passa das 4 da tarde, e continuo assim. Passo pela sala, minha mãe pergunta: o que você tem? Não respondo. Quando volto ela pergunta: Você está doente? Balanço a cabeça em sinal negativo. Como explicar que minha doença é na alma? Mãe percebe essas coisas, mas não consigo falar, não agora. Eu sinto vontade de chorar mais um pouco, ou muito, não sei bem. Quanto pode uma pessoa chorar? Não tenho a menor idéia, mas acho que vou acabar descobrindo.
Tenho muita coisa guardada, e agora, tudo explodiu em meu peito. Choro pelo que fiz, pelo que não fiz, por minha ausência, por meus medos, por minha covardia e pela tardia certeza que me assola. Tenho medo de terminar meus dias na solidão. Meu melhor amigo morreu faz dois anos. Morreu sozinho, num quarto, sem ninguém por perto. Tenho medo disso! Passo os dias em meu quarto, chorando, escrevendo, sonhando. Os sonhos são vazios, pois não podem mais existir. A solidão agora é plena. Quero sair, mas não tenho destino certo. Amigos ajudam, mas a tristeza é só minha, e sempre está por perto.
Vou parar por hoje, tenho mais um pouco a chorar...

A pior quinta-feira da minha vida!

A cabeça ainda gira, perdida, sem direção. Tiraram meu chão, apagaram meus sonhos. Não, não estou sendo dramatico, só relato os fatos. Meu coração está pequeno, mas com um vazio infinito dentro. Errei, é fato. Mas não errei sozinho. Os erros costumam acontecer a dois. Quando se ama, não se enxerga o óbvio, não se vê além do objeto amado. Essa cegueira pode ser fatal. E foi. A vida é cheia de surpresas, e muitas não são boas. Foi assim que o fim começou: numa surpresa ruim. E agora? Sigo o planejado, ou volto para quem eu amo? E se eu voltar, ela achar que é por pena, por dó? Espero passar a tempestade ou saio na chuva, me molho e corro o risco de nem encontrá-la lá fora? A vida é breve, pessoas se vão. Eu deveria ter saído na chuva, mesmo contra as vontades. Deveria... mas não fui. E o tempo, mesmo que pouco, passou, e ela já estava namorando, alguém que sempre quis namorar. O que fazer com todo o amor que sentia? Guardei...
Quando não mais pensava em centésimas chances, ela lembrou-se de mim. Talvez nunca tenha esquecido, talvez só quisesse lembrar o que sentia. Mas ela voltou, e pra mim, era como se nada houvesse mudado. De repente, o maior amor de sua vida, quer ficar com você. E por que não? Alguns sonhos se realizam. Mas ela não era a mesma. A pessoa por quem me apaixonei, já era lembrança distante. Meses de ódio e raiva, enraizados por sofrimentos além da minha compreensão. Não tive como apagar isso. Descobri que mesmo para o amor, nem tudo é possível. Algumas pessoas, simplesmente se vão... pena que o amor continue...